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A hipertensão arterial sistêmica, doença extremamente comum no idoso, pode acometer os olhos. Geralmente a parte mais afetada do olho é a retina, parte responsável pela transformação da luz em impulso nervoso, que é captado pelo cérebro, permitindo enxergar. A doença de retina causada pela hipertensão arterial, chamada de retinopatia hipertensiva, e a doença do nervo óptico, que também pode ser acometido, podem causar baixa de visão nestes pacientes.

As alterações vasculares causadas pela hipertensão arterial no olho dependem da rapidez de instalação da mesma, tempo e duração da doença e da idade do paciente. As alterações que ocorrem nos vasos retinianos ocorrem de forma semelhante nos rins, cérebro e outros órgãos. Ao contrário dos outros órgão, a realização de um exame oftalmológico da retina permite que o especialista observe esses vasos ao vivo, determinando a gravidade da doença. Este é o chamado exame do fundo de olho direto e/ou indireto.

Classificamos as alterações vasculares da retina decorrentes da hipertensão arterial como arterioscleróticas ou hipertensivas, agudas ou crônicas. Tais alterações são basicamente decorrentes da vasoconstrição e modificações estruturais na camada muscular e íntima dos vasos mais finos.

As alterações arterioscleróticas ocorrem de maneira lenta e gradual, geralmente ao longo dos anos. No exame de fundo de olho o médico observa: mudança no reflexo arteriolar (chamadas artérias em “fio de cobre” ou “fio de prata”), cruzamentos patológicos arterio-venosos (chamados “sinal de Gunn” e “sinal de Salus”), dilatação e tortuosidade dos vasos, embainhamento dos vasos, alteração da permeabilidade vascular retiniana resultando na formação de exsudatos duros (formados por lipídeos e lipoproteínas).

As alterações classificadas como “hipertensivas” estão relacionadas a modificações mais agudas, que podem surgir com certa rapidez, sendo causadas pela doença “sair do controle”. No exame oftalmológico o médico observa alterações como: espasmo ou estreitamento arteriolar, manchas algodonosas, hemorragias superficiais (“chama de vela”) ou profundas (puntiformes, arredondadas) e edema de papila.

Uma das causas de baixa de visão nos pacientes com hipertensão arterial é decorrente do acometimento da mácula, por micro sangramentos ou edema (inchaço). A mácula é região da retina responsável pela visão de detalhes. É importante lembrar que estas alterações (sangramento e edema) não são observadas do lado de fora do olho do paciente, apenas pelo exame de fundo de olho e podem ser confirmadas por exames como angiofluoresceinografia e OCT (tomografia de coerência óptica).

Outra causa de baixa de visão nos pacientes hipertensos são os quadros de oclusão tanto arteriais como venosas. Já que a parede dos vasos é alterada pela doença, aumenta a chance do fluxo sanguíneo ser interrompido e o vaso “entupir”. Tais oclusões podem acometer vasos centrais da retina ou ramos, responsáveis pela irrigação de áreas mais afastadas do centro da visão. Dependendo da região acometida o paciente vai apresentar perda de visão.

Acompanhamento

Desta maneira, deve-se examinar o paciente e tentar identificar alterações relacionadas à hipertensão arterial. As alterações podem ser detectadas precocemente e o paciente pode ser encaminhado ao tratamento adequado com boas chances de controle do quadro e até regressão de parte das alterações. A realização do exame da retina pelo oftalmologista mediante a dilatação da pupila deve ser indicada não apenas para diagnóstico, mas também como parâmetro de prognóstico. É importante lembrar que no começo o paciente não sente alteração na visão, até a retina estar comprometida, quando é mais difícil tratar e impedir perda da visão.

Tratamento

Ainda não existe cura para a retinopatia hipertensiva, mas há como evitá-la, evitar a sua evolução e em alguns casos recuperar parte do dano. Pacientes com hipertensão arterial sistêmica devem realizar um exame de fundo do olho no momento do diagnóstico da hipertensão, seguido de exames anuais. Já que estes pacientes costumam ter mais de 40 anos e podem apresentar outras doenças associadas como glaucoma ou diabetes, o exame serve para garantir que não somente a hipertensão, mas estas outras doenças não ameaçam a visão.

Manter os níveis pressóricos bem controlados associado à prática de exercícios e boa alimentação podem evitar ou controlar melhor a doença.

Nos casos das oclusões arteriais ou venosas existem condutas específicas para cada caso sendo necessária uma avaliação detalhada, muitas vezes associada a exames complementares.

Artigo escrito pela equipe da Clínica Belfort. Proibida reprodução parcial ou total sem autorização. Este artigo e vídeo contêm apenas informações gerais sobre doenças oculares. Este texto não substitui a avaliação por oftalmologista.