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As pálpebras são os lugares mais comuns para ocorrência de tumores na região dos olhos. Uma série de tumores benignos e malignos podem afetar esta parte do corpo. O dano causado pela exposição solar ao longo da vida é um importante fator de risco para o aparecimento de tumores palpebrais, especialmente carcinomas.

Tumores benignos

1 – Hordéolo ou Calázio (popularmente conhecido como Terçol)

Não é uma neoplasia, mas uma inflamação da glândula da pálpebra e pode afetar pessoas de todos os sexos e idades. Costuma ser acompanhado de dor e vermelhidão, podendo gerar secreção purulenta. Não necessita de tratamento na grande maioria dos casos e pode apresentar resolução mais rápida pela aplicação de compressas mornas sobre a pálpebra, apesar de compressas frias poderem ser indicadas em casos com muito edema.

2 – Papiloma

Papiloma é um tumor benigno, de origem epitelial, que parece uma verruga. Geralmente é causado pelo vírus do HPV. Pode acometer pessoas de todas as idades e as vezes pode ser múltiplo ou acometer os dois olhos. Pode ser necessário tratamento cirúrgico nos casos de papilomas maiores que causem incomodo ou problemas estéticos.

3 – Queratose seborreica

É outra lesão com aspecto de verruga, benigna, que costuma afetar pacientes de meia idade ou idosos, de coloração marrom ou negra, bem delimitada e com aspecto descamativo. Geralmente são lesões pouco elevadas e não parecem inflamadas. Fazemos a remoção cirúrgica por queixa estética e para garantir que não é uma lesão cancerosa que parece uma queratose.

Tumores malignos

Os tumores malignos da pálpebra geralmente afetam pacientes mais velhos e podem ser causados por dano ultra-violeta pela luz solar e pela infecção pelo vírus HPV. Também são mais comuns em pacientes imunossuprimidos.

1 – Queratoacantoma (ou Ceratoacantoma)

O queratoacantoma é uma lesão maligna de baixo grau (pouco agressiva) de pele que se parece com o carcinoma basocelular por ser uma lesão elevada com ulceração central. No entando, o queratoacantoma geralmente crescem rapidamente até lesões de 1 a 2 cm em semanas ou meses e podem involuir espontaneamente depois de 4 a 6 meses.

2 – Carcinoma basocelular

É o tumor maligno mais comum a atingir a pálpebra, um cancer de pele que está relacionado ao dano causado por raios ultra violeta acumulados por toda a vida, sendo mais comum em pacientes de pele clara que tiveram grande exposição ao sol. Geralmente acomete a pálpebra inferior porque é a reunião com maior exposição ao sol. Pode aparecer como uma lesão elevada, com centro ulcerado. Pode causar perda de cílios. Apesar de causar dano local, não costuma ser um cancer que gera metástases em outras partes do corpo.

3 – Carcinoma sebáceo

É um tipo de cancer que tem origem em glândulas da pálpebra (glândulas de Meibomius ou Zeis) e pode ser confundido com uma lesão inflamatória benigna (Hordéolo). Este cancer geralmente acomete a pálpebra superior e é um cancer agressivo e que podem matar o paciente se não for tratado de maneira adequada. Todo calázio de repetição deve levantar a suspeita de carcinoma sebáceo e um patologista deve ser avisado desta suspeita, para que possa realizar os exames e colorações adequados para excluir este diagnóstico nestes casos. Pode estar associado a dano causado por radiação, ou a doenças como Doença de Bowen’s e Síndrome de Muir-Torre.

4 – Melanoma e Carcinoma espinocelular

São outros tipos de tumores malignos das pálpebras que, apesar de mais raros, podem invadir estruturas ao redor dos olhos e gerar metástases, inclusive colocando a vida do paciente em risco. O oftalmologista deve ser consultado se houver aparecimento / crescimento de qualquer lesão na região da pálpebra e lesões suspeitas devem ser acompanhadas de perto, inclusive com biópsia se necessário.

Sinais e sintomas que ajudam a diferenciar lesões benignas de malignas (canceres):

Algumas regras ajudam o oftalmologista a diferenciar lesões benigas e malignas das pálpebras: lesões malignas costumam causar perda de cílios, distorção da margem palpebral, alteração da coloração ou textura da pele ou sangramento persistente. Pacientes que apresentam estes sintomas devem procurar um oftalmologista que vai avaliar a necessidade de realizar uma biópsia.

Tratamento

O tratamento das lesões malignas e das lesões benigas com alteração estética é a remoção cirúrgica. O oftalmologista remove a lesão, de preferência inteira (biópsia excisional) ou apenas para fazer o diagnóstico (biópsia incisional). Lesões malignas devem ser ressecadas com margem de segurança. O material deve ser enviado para avaliação pelo patologista, que determina o tipo de tumor e se foi removido completamente. Dependendo do tipo de cancer utilizamos patologia de congelação, que é realizada com ajuda de um médico patologista que avisa durante a cirurgia se todo o tumor foi retirado.

Diversas técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas para reconstruir a pálpebra depois da remoção do tumor, geralmente resultando em bom resultado funcional e estético para o paciente. Em raros casos pode ser necessário complementar o tratamento com aplicação de radioterapia externa.

 

Artigo escrito pela equipe da Clínica Belfort em 2012. Proibida reprodução parcial ou total sem autorização. Este artigo contém apenas informações gerais sobre doenças oculares. Este texto não substitui a avaliação por médico oftalmologista.