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Desenvolvimento visual das crianças

Antes do nascimento o exame de pré natal é importante para prevenir doenças que possam afetar a visão do bebê ainda na barriga da mãe. Algumas infecções como toxoplasmose e rubéola podem afetar o desenvolvimento do olho e causar problemas congênitos difíceis de ser corrigidos, por isso fazem parte do pré natal exames de sangue na mãe para detectar se ela já teve estas infecções. Se a gestante tem sorologia negativa para toxoplasmose e rubéola é muito importante tomar todas as medidas para impedir que estas doenças sejam contraídas durante a gestação, o que aumenta a chance de transmitir a doença para o feto e causar uma infecção congênita. Converse com seu médico obstetra sobre estas doenças.

As crianças não tem o olho e o sistema visual completamente formados e maduros desde o nascimento. Até os sete anos de idade ocorre o amadurecimento da visão. Depois do nascimento, lentamente a criança percebe objetos em movimento e depois passa a perceber objetos parados e seguir objetos com o olhar. Normalmente até os dois meses de idade a criança começa a seguir com os olhos focos de luz, até os seis meses a criança passa a fixar e seguir estímulos luminosos (acompanhar com os olhos a luz de uma pequena lanterna, por exemplo). Sabemos que a visão vai se desenvolvendo e melhorando aos poucos e que apenas aos cinco anos de idade a criança apresenta visão semelhante à de um adulto normal (20/20 ou 100% de visão).

Desde o nascimento até o primeiro mês de vida é comum que a criança apresente os olhos um pouco desalinhados (chamado de estrabismo) e isto costuma parar até o terceiro mês de vida porque os músculos que alinham os olhos e seu funcionamento ainda estão imaturos. Se o desalinhamento persistir ou for permanente deve-se procurar o oftalmologista para examinar o olho, garantir que não exista alteração da retina e pesquisar a visão da criança e a necessidade do uso de óculos.

Se o olho do bebê ficar vermelho, muito sensível à luz ou com secreção avise o pediatra e procure um oftalmologista. Muitas crianças apresentam uma obstrução congênita do ducto naso lacrimal (pequeno canal que leva a lágrima do olho para o nariz). Estas crianças costumam apresentar olho sempre com secreção e devem ser acompanhadas pelo oftalmologista, as vezes sendo necessário utilizar colírio, até que o problema se resolva. Na grande maioria das vezes o canal desobstrui sozinho, mas as vezes o ducto continua obstruído depois de um ano e é necessário tratamento cirurgico.

A partir dos quatro a seis meses de idade a visão do bebê está mais desenvolvida e ele começa e enxergar objetos mais próximos.

Necessidade de usar óculos

Cerca de 80% das crianças são hipermétropes ao nascimento. Esta hipermetropia diminui com a idade e costuma se aproximar de zero aos 8 ou 9 anos de idade. Até esta idade a grande maioria das crianças não precisa de óculos a não ser que apresente estrabismo ou grau muito alto. Normalmente os bebês são examinados depois do nascimento ainda na maternidade e se não apresentarem outro sinal de doença devem ser examinados perto dos 5 anos.

Algumas crianças apresentam hipermetropia maior, que as vezes causa desvio do olho (estrabismo) ou cansa a criança quando ela olha objetos próximos. É comum ter crianças consideradas hiperativas, mas que na verdade têm dificuldade para enchergar (geralmente por hipermetropia) e depois da prescrição de óculos melhoram a atenção, diminuindo sua “hiperatividade”.

Checando a visão

Em crianças pequenas o mais importante é garantir que o desenvolvimento dos dois olhos esteja equilibrado. Muitas vezes um olho da criança não enxerga bem e os pais não percebem porque a criança consegue fazer todas as suas atividades sem problemas. A melhor maneira dos pais checarem que tudo está bem é tampar um dos olhosa da criança enquanto ela está brincando ou vendo um brinquedo colorido. É normal que ela queira destampar o olho, mas sem ficar muito nervosa. Em seguida deve-se tampar o outro olho e ver se a reação é a mesma. No caso de um olho da criança enxergar pior do que o outro, quando o olho bom é tampado a criança fica muito nervosa, enquanto não se importa muito de ter o outro olho fechado. Neste caso a criança deve ser avaliada por um oftalmologista para checar a causa da visão pior e tratar, impedindo a ambliopia deste olho.

Com crianças mais velhas (acima dos 3 anos) é fácil pedir que descrevam um desenho ou que leiam uma placa ou cartaz com um olho de cada vez, garantindo que a visão dos dois olhos seja boa e semelhante entre os olhos.

Não use colírios ou qualquer outra substância nos olhos de seu filho sem orientação médica.

Artigo escrito pela equipe da Clínica Belfort. Proibida reprodução parcial ou total sem autorização. Este artigo contém apenas informações gerais sobre desenvolvimento visual e doenças oculares. Este texto não substitui a avaliação por médico oftalmologista.