Anemia Falciforme

A anemia falciforme é uma hemoglobinopatia, uma doença genética que causa alteração no gene responsável pela fabricação da molécula de hemoglobina, que é responsável pelo transporte de oxigênio dentro de nossas hemácias (glóbulos vermelhos). Uma pessoa normal têm hemoglobina formada pelos tipos A1 e A2 e a presença de outros tipos de hemoglobina causa diferentes doenças, como a beta talassemia, o traço falciforme e a anemia falciforme.

Destas hemoblobinopatias a anemia falciforme é a forma mais grave.A hemácia com a molécula de hemoglobina alterada sofre falcização (muda da sua forma arredondada para forma de foice, daí o nome da doença), e com isto ocorre obstrução dos vasos sanguíneos. A alteração da hemoglobina causa anemia crônica pela destruição das células vermelhas do sangue e crises de dor, problemas oculares, fadiga e falta de ar, além de aumentar a chance de infecções, de acidente vascular cerebral, crises de priapismo, etc.

Apesar dos pacientes com traço falciforme não apresentarem problemas pelo corpo como os descritos acima, eles apresentam 8 vezes mais chance de ter problemas oculares.

Tratamento

O tratamento da anemia falciforme consiste na prevenção de infecções pelo uso de antibióticos, aplicação de vacinas para prevenir algumas infecções, uso de vitaminas, hidratação adequada, e uso de alguns medicamentos como hidroxiuréia, que melhoram os sintomas. Além disto o paciente que apresenta crise de dor deve ser tratado com analgésicos, oxigênio, além do tratamento da causa da crise (como uma infecção, anemia importante, etc)

Problemas oculares

A anemia falciforme causa uma série de alterações oculares como: Alterações conjuntiva (vasos em forma de vírgula ou saca-rolhas), atrofia de iris, hemorragias salmon-patch (hemorragia pré retiniana ou na retina superficial), pontos iridescentes (seqüela das hemorragias) e black sunburst (migração dos pigmentos da retina),aumento da tortuosidade vascular, oclusões dos vasos da coróide e alterações maculares (região do centro da visão).

Alterações ainda mais sérias são as chamadas alterações proliferativas, causadas por vasos anômalos formados em regiões onde os vasos normais foram obstruídos e passou a haver hipóxia (oxigenação inadequada). Estes vasos anômalos causam tração na retina, sangramentos e até descolamento de retina.

Tratamento da doença ocular

O exame oftalmológico anual a partir dos 8 anos de idade têm como objetivo identificar as alterações da retina assim que possível. Exames como angiofluoresceinografia e tomografia de coerência óptica (SD-OCT) são capazes de identificar alterações antes que elas sejam visíveis pelo oftalmologista durante o exame oftalmológico.

As áreas de isquemia devem ser tratadas com laser ou com a injeção intra-ocular de medicação anti VEGF antes que causem descolamento de retina ou alteração da visão central.

Uma nova opção para o tratamento de crianças e adolescentes com alteração de retina que precisam de tratamento com laser é o laser Pascal, que permite tratamento sem dor como ocorre com os lasers de argônio convencionais.

Artigo escrito pela equipe da Clínica Belfort. Proibida reprodução parcial ou total sem autorização. Este artigo contém apenas informações gerais sobre doenças oculare e não substitui a avaliação por médico oftalmologista.