Estrabismo

Estrabismo é o desalinhamento dos olhos. O alinhamento ocular é um dos requisitos necessários para o desenvolvimento visual normal. A visão binocular depende da integração da imagem retiniana dos dois olhos em uma única imagem . O processo de juntar (fundir) estas duas imagens separadas em uma única imagem binocular é chamada fusão binocular. A fusão binocular é necessária para manter o alinhamento ocular e fornecer estereopsia (percepção tri-dimensional), além de impedir visão dupla.

A estereopsia é a propriedade binocular de utilizar sinais de disparidade (diferenças entre a visão dos dois olhos) para compor a percepção de profundidade. O período mais importante para o desenvolvimento da visão binocular nas crianças parece ocorrer nos primeiros 3 a 4 meses de vida.

A criança que apresenta estrabismo em idade precoce ou antes dos 4 a 5 anos, não vai apresentar visão dupla (diplopia) devido a supressão do olho não fixador. Neste caso o cérebro da criança escolhe suprimir (não levar em consideração) a visão do olho desalinhado. A supressão é um mecanismo de defesa, para evitar a diplopia e confusão de imagens, e interrompe o desenvolvimento binocular com perda da fusão e estereopsia. Se o estrabismo começa a ocorrer em uma criança com mais de 7 anos de idade ou em um adulto, o paciente percebe a visão dupla porque já não consegue realizar supressão.

O estrabismo pode ser constante (olho desviado o tempo todo) ou intermitente (somente em parte do tempo). Crianças com estrabismo adquirido, diplopia, limitação dos movimentos oculares, ptose ou outros sinais neurológicos, baixa visão ou alteração do reflexo vermelho, devem ser encaminhados para uma consulta urgente com o oftalmologista.

Ao nascimento o alinhamento ocular é variável, 70% das crianças apresentam uma pequena e variável exotropia (um dos olhos desviados para fora, chamado desvio divergente), 30% olhos alinhados e esotropia (olho desviado para fora, chamado desvio convergente) é mais raro. Isso ocorre porque nos primeiros meses de vida a visão ainda é pouco desenvolvida.

Crianças com exotropia (olho desviado para fora) após 6 meses de vida ou esotropia (olho desviado para dentro) após 2 meses de vida devem ser encaminhados ao oftalmologista. Rápidos episódios de adução simultânea (espasmo de convergência) são freqüentes até os 4 meses de idade. Neste caso o oftalmologista vai medir o desvio e garantir que não exista uma causa mais grave para o estrabismo (como doença de retina, catarata ou tumor no olho da criança).

O pseudo-estrabismo é uma condição muito comum na qual a criança parece ter os olhos desalinhados, com falsa aparência de estrabismo. Neste caso o exame com oftalmologista e acompanhamennto da criança é importante para acalmar os pais e garantir que a criança vai apresentar desenvolvimento normal da visão dos dois olhos.

Tratamento

O tratamento consiste em garantir que não exista uma doença causando estrabismo que deva ser tratada (como catarata, doenças da retina, tumores, alta miopia ou hipermetropia, etc), seguido do tratamento da ambliopia. Ambliopia é conhecido popularmente como "olho preguiçoso", quando estrabismo ou alguma outra alteração nos primeiros anos de vida da criança impedem que a visão deste olho se desenvolva. Neste caso o oftalmologista costuma prescrever uso de tampão ou colírios especiais para "forçar" a criança a desenvolver a visão no olho preguiçoso. Normalmente é um tratamento difícil, porque a criançca não entende sua importância e reclama. Os pais devem estar bem informados para que o tratamento tenha sucesso.

O tratamento da ambliopia é muito importante porque só pode ser tratado em crianças pequenas. Quando um adulto descobre que tem um olho ambliope, não há como tratar e melhorar sua visão. Apesar de algumas drogas poderem ser utilizadas para tratar a ambliopia em adultos, acredita-se que esta doença deva ser tratada em crianças o mais cedo possível, até no máximo os 7 anos de idade.

Paralelamente ao tratamento da ambliopia, o oftalmologista acompanha o estrabismo. As vezes o uso de óculos ajuda a corrigir parte do desvio e quando a criança crescer a cirurgia ajuda a alinhar os olhos. Vale relembrar que a cirurgia não trata a ambliopia, apenas alinha os olhos.