Melanoma de coróide

Melanoma de coróide é o câncer mais comum com origem no olho. A incidência de melanoma ocular é de aproximadamente 4 casos para cada milhão de habitantes e ele é semelhante ao melanoma de pele, apesar de menos freqüente.

O melanoma pode acometer diferentes partes do olho, desde a parte mais externa (pálpebra e conjuntiva), até as estruturas internas, como a iris, o corpo ciliar e a coróide. O parte do olho mais acometida pelos melanomas é a coróide, camada do olho entre a esclera e a retina. Esta parte do olho não é visível a olho nu, sendo necessário dilatar a pupila e examinar com equipamentos especias para ver as doenças que afetam esta parte do olho.

Os fatores de risco para esta doença são: os pacientes com maior risco para melanoma de coróide são os de raça branca com cabelos loiros e olhos claros. Pacientes mais velhos também apresentam maior chance de apresentar o tumor, mas pessoas de qualquer raça e idade podem desenvolver a doença. Outro fator de risco é a presença de nevus (ou uma pinta) no fundo de olho. Nevus são como pintas, presentes desde o nascimento do paciente e que podem sofrem transformação maligna e dar origem a um melanoma.

Sintomas

Os sintomas que o paciente apresenta vão depender da localização do tumor dentro do olho e do seu tamanho. Se o tumor estiver perto do centro da visão o paciente pode ter visão embaçada, mas se estiver na periferia pode crescer muito até que o paciente perceba que alguma coisa está errada. Por este motivo muitas vezes o tumor é descoberto durante um exame de rotina, quando o médico examina o fundo de olho com as pupilas dilatadas. Para o diagnóstico o mais importante é o exame por um oftalmologista experiente, e geralmente são pedidos exames complementares como ultra-som ocular e OCT. Tambem são pedidos exames para garantir que o tumor não afetou outras partes do corpo.

Tratamento

O primeiro objetivo no tratamento do melanoma de coróide é salvar a vida do paciente e tal tratamento depende do tamanho do tumor. Se o tamanho for pequeno ou médio é possível tratar com placa de braquiterapia (radioterapia) e aplicação de laser especial (chamado termoterapia transpupilar). No caso da braquiterapia, um pequeno implante radioativo é colocado do lado de fora do olho através de uma cirurgia, liberando energia responsável pela destruição das células cancerosas minimizando a radiação a orgãos saudáveis, como o outro olho, o cérebro, etc. Depois de um ou dois dias a placa de braquiterapia é retirada e o paciente retorna à vida normal. Medicamentos especiais podem ser utilizados pata diminuir a chance do paciente perder a visão como complicação da radioterapia.

No caso de tumores grandes pode ser necessário retirar o olho (cirurgia chamada de enucleação). Apesar de parecer terrível é uma cirurgia sem dor e depois de adaptada uma prótese ocular que parece com o olho real a aparência estética é muito satisfatória.

O tratamento visa controlar o tumor e diminuir a chance do paciente apresentar metástases (desenvolvimento de melanomas em outros órgãos do corpo derivados do tumor dentro do olho). O órgão mais acometido pelas metástases do melanoma de coróide é o fígado. Outros exames garantem que não existam metástases em outras partes do corpo.

Acompanhamento

Os pacientes com melanoma ocular são acompanhados em conjunto pelo oftalmologista especializado em tumores e pelo médico oncologista. Sabemos que nos primeiros 5 anos após tratamento existe maior chance do paciente desenvolver metástases e o principal órgão a ser afetado é o fígado e durante este período o paciente deve ser examinado a cada seis meses.

Geralmente o acompanhamento é realizado a cada seis meses, com exame oftalmológico para garantir que o tumor esteja controlado e exames de fígado e sangue para verificar que não existam metástases em outros órgãos.

Obs: O tipo mais freqüente de câncer do olho vem de um tumor de outro órgão e recebe o nome de metástase (os mais comuns são metástases de câncer de mama, próstata e pulmão). As vezes os pacientes que apresentam metástase já sabem que têm câncer, mas a lesão do olho pode ser o primeiro sinal da doença.