Visão das Crianças
Desenvolvimento visual das crianças
Antes do nascimento o exame de pré natal é importante para prevenir doenças que possam afetar a visão do bebê ainda na barriga da mãe. Algumas infecções como toxoplasmose e rubéola podem afetar o desenvolvimento do olho e causar problemas congênitos difíceis de ser corrigidos.
Depois do nascimento as crianças não tem o olho e o sistema visual completamente formados. Aos poucos a criança percebe objetos em movimento e depois passa a perceber objetos parados e seguir objetos com o olhar. Normalmente até os dois meses de idade a criança segue focos de luz esporadicamente, dos dois a seis meses a criança passa a fixar e seguir estímulos luminosos (acompanhar com os olhos a luz de uma pequena lanterna, por exemplo). Sabemos que a visão vai se desenvolvendo e melhorando aos poucos e que apenas aos cinco anos de idade a criança apresenta visão semelhante à de um adulto normal (20/20 ou 100% de visão).
Desde o nascimento até o primeiro mês de vida é comum que a criança apresente os olhos um pouco desalinhados (chamado de estrabismo) e isto costuma parar até o terceiro mês de vida porque os músculos que alinham os olhos e seu funcionamento ainda estão imaturos. Se o desalinhamento persistir ou for permanente deve-se procurar o oftalmologista para examinar o olho, garantir que não exista alteração da retina e pesquisar a visão da criança e a necessidade do uso de óculos.
Se o olho do bebê ficar vermelho, muito sensível à luz ou com secreção deve-se procurar o oftalmologista. Muitas crianças apresentam uma obstrução congênita do ducto naso lacrimal (pequeno canal que leva a lágrima do olho para o nariz). Estas crianças costumam apresentar olho sempre com secreção e devem ser acompanhadas pelo oftalmologista, as vezes sendo necessário utilizar colírio, até que o problema se resolva. Na grande maioria das vezes o canal desobstrui sozinho, mas as vezes o ducto continua obstruído depois de um ano e é necessário tratamento cirurgico.
A partir dos quatro a seis meses de idade a visão do bebê está mais desenvolvida e ele começa e enxergar objetos mais próximos.
Necessidade de usar óculos
Cerca de 80% das crianças são hipermétropes ao nascimento. Esta hipermetropia diminui com a idade e costuma se aproximar de zero aos 8 ou 9 anos de idade. Até esta idade a grande maioria das crianças não precisa de óculos a não ser que apresente estrabismo ou grau muito alto. Normalmente os bebês são examinados depois do nascimento ainda na maternidade e se não apresentarem outro sinal de doença devem ser examinados perto dos 5 anos.
Checando a visão
Em crianças pequenas o mais importante é garantir que o desenvolvimento dos dois olhos esteja equilibrado. Muitas vezes um olho da criança não enxerga bem e os pais não percebem porque a criança consegue fazer todas as suas atividades sem problemas. A melhor maneira dos pais checarem que tudo está bem é tampar um dos olhosa da criança enquanto ela está brincando ou vendo um brinquedo colorido. É normal que ela queira destampar o olho, mas sem ficar muito nervosa. Em seguida deve-se tampar o outro olho e ver se a reação é a mesma. No caso de um olho da criança enxergar pior do que o outro, quando o olho bom é tampado a criança fica muito nervosa, enquanto não se importa muito de ter o outro olho fechado. Neste caso a criança deve ser avaliada por um oftalmologista para checar a causa da visão pior e tratar, impedindo a ambliopia deste olho.
Com crianças mais velhas (acima dos 3 anos) é fácil pedir que descrevam um desenho ou que leiam uma placa ou cartaz com um olho de cada vez, garantindo que a visão dos dois olhos seja boa e semelhante entre os olhos.
Não use colírios ou qualquer outra substância nos olhos de seu filho sem orientação médica.
Artigo escrito pela equipe da Clínica Belfort. Proibida reprodução parcial ou total sem autorização. Este artigo contém apenas informações gerais sobre doenças oculares. Este texto não substitui a avaliação por oftalmologista.
