1. Nadar com os olhos abertos, sem óculos, é prejudicial à visão?
2. Ver televisão de perto ou ler com pouca luz traz algum tipo de conseqüência à visão?
3. Ler muito ou escrever em computador causa algum problema à visão?
11. O que causa a sensação de areia nos olhos?
12. Qual o motivo de enxergar com um pontinho preto incomodando a visão?
13. O que desencadeia o escurecimento da visão quando uma pessoa se levanta rapidamente?
14. Em que caso é freqüente a alteração lacrimal?
18. Em um acidente, os olhos podem saltar da sua órbita? Qual a possibilidade de isso acontecer?
19. O que acontece se o olho for furado com um objeto pontiagudo?
20. Como contraímos uma conjuntivite? Ela sempre é contagiosa?
22. Em que situação realiza-se um transplante de córnea? O sucesso é garantido?
23. Visão dupla é problema oftalmológico ou neurológico?
26. A AIDS costuma provocar alterações oculares?
28. Quando devo levar meu filho no oftalmologista?
29. Quando devo procurar um oftalmologista?
Respostas
Os olhos são muito sensíveis e, ao contrário da pele, são cobertos por uma fina camada de células não queratinizada. Por isso, nadar em água suja é sempre perigoso, mesmo com os olhos fechados. As piscinas normalmente contêm cloro e outras substâncias que matam os germes, mas elas também irritam os olhos, razão pela qual eles ficam vermelhos. Técnicas mais modernas possibilitam água limpa sem cloro. Nadar com os olhos abertos, sem óculos, desde que a água seja limpa, como nas piscinas de água tratada, não é prejudicial à visão nem aos olhos, mas pode irritá-los.
Antigamente acreditava-se que ver televisão de perto ou ler com pouca luz podiam trazer problemas à visão como, por exemplo, causar miopia. O mito caiu. Não se acredita mais nisso. Os monitores de TV e dos computadores são blindados para não permitir que radiações prejudiquem nosso organismo.
O olho não apresenta nenhum problema pelo fato de manter-se enxergando muitas horas por dia ou quando trabalha sozinho, como nos casos em que o outro olho não vê. Manter concentração visual por muito tempo, principalmente para uma determinada distância fixa como, por exemplo, ao dirigir ou utilizar computador, pode levar ao cansaço, estado que aparece de forma mais freqüente e mais precoce diante de alterações do tipo hipermetropia ou astigmatismo. É nessa situação que um par de óculos pode ajudar, dando conforto visual.
Existem vários tipos de miopia, desencadeados por diversos fatores. Alguns deles são culturais e outros genéticos, caso sejam observados fatores hereditários. O olho míope não enxerga nitidamente a longas distâncias, mas de perto vê bem. Comparando, é como se o olho tivesse crescido demais, então a imagem se forma antes da retina e o paciente enxerga borrado. Não existe como prevenir a miopia. Há muita discussão em torno do assunto, e a Medicina ainda não sabe explicar a origem da doença. No entanto, acredita-se que o estímulo à criança para ver objetos próximos aos olhos pode facilitar o surgimento ou aumento da miopia. Com o passar dos anos, o olho cresce e o problema costuma piorar. A correção geralmente é realizada com óculos ou lentes de contato. Atualmente já é possível tratar a miopia por meio de cirurgia. A técnica mais moderna é a realizada com laser do tipo excimer. Entretanto é recomendada somente para pacientes com o problema já estável, geralmente a partir dos 22 anos de idade.
A cirurgia de miopia já tem muitos anos de observação e, até agora, não apareceram complicações tardias. Trata-se de um procedimento geralmente estável e seguro, que deixou de ser experimental para ser incorporado às técnicas usuais da medicina. Existem técnicas diferentes para a cirurgia, desde a técnica de ceratotomia radial até o excimer laser com a técnica de Lasik personalizado. Em cada uma dessas duas cirurgias são utilizadas tecnologias completamente diferentes, com reações secundárias, índices de recuperação e tipos de complicações diferentes.
A ceratotomia radial é um procedimento cirúrgico, realizado usualmente com bisturi de diamante. Consiste na realização de incisões (cortes) radiais na córnea (membrana transparente do olho), com resultados muito bons e bastante seguros. Já a cirurgia a laser, embora mais recente, tem seguimento mais longo e os resultados parecem melhores. Ela utiliza energia molecular para mudar a superfície anterior da córnea, como se realizasse uma modelagem, no sentido de corrigir a miopia. Apresenta algumas vantagens em relação à ceratotomia radial, entre elas o risco muito menor de infecção, a impossibilidade de perfuração da córnea e também uma estabilidade maior dos resultados.
Sabe-se agora, após muitos anos de experiência com a ceratotomia radial, que em alguns casos a cirurgia vai ampliando seu efeito, levando os olhos a desenvolverem a hipermetropia (dificuldade de enxergar bem tanto de perto como de longe) ou, precocemente, a presbiopia, popularmente conhecida como "vista cansada". Esta surge normalmente em pacientes com mais de 40 anos e caracteriza-se pela dificuldade de enxergar com nitidez em curta distância.
Em ambos os procedimentos é importante que o paciente converse longamente com seu médico, tire todas as suas dúvidas e conclua qual forma cirúrgica lhe oferecerá mais benefícios e menos riscos. Mais importante que a cirurgia em si é a indicação dela. Muitos pacientes apresentam córnea muito fina ou astigmatismo que torna a cirurgia arriscada, por isso muitos pacientes são aconselhados a não operar e aguardar até que uma técnica mais avançada esteja disponível.
A miopia é como se o olho tivesse crescido muito, de forma que os raios de luz que penetram pela córnea acabam se concentrando antes da retina. Na hipermetropia é o contrário. É como se o olho tivesse crescido pouco, e os raios de luz encontram-se somente depois da retina. Assim, os olhos não enxergam com nitidez. A miopia é corrigida com lentes negativas divergentes, e a hipermetropia com lentes positivas convergentes.
Um míope nunca enxerga bem para longe sem o uso de lentes corretivas enquanto o hipermétrope consegue ajustar o grau dos olhos pelo processo conhecido como acomodação, por isso é muito mais comum encontrarmos pessoas míopes do que hipermétropes utilizando óculos. Se a hipermetropia é muito grande ou com a chegada da presbiopia ao redor dos quarenta anos é preciso de óculos para enxergar bem.
Explicar o astigmatismo é mais complicado. A melhor maneira de fazê-lo é comparar a superfície anterior (frontal) do olho, a córnea, a uma bola de futebol do tipo americano. Com formato elíptico, essa bola tem o raio de curvatura maior em um eixo da bola que no outro, bem semelhante ao processo do astigmatismo. Esse problema é corrigido com o uso de óculos, lentes de contato ou cirurgia. Quando o paciente apresenta uma hipermetropia combinada com astigmatismo, o uso de lentes de contato não é habitual porque elas podem incomodar muito.
O olho não foi feito para durar o tempo que felizmente já se vive. Agora que a vida freqüentemente se prolonga até 80 ou 90 anos, verifica-se que infelizmente os olhos de quase todas as pessoas necessitam de ajuda médica, clínica ou cirúrgica para manter uma visão útil. Um dos muitos aspectos relacionados a esse fato é a famosa "vista cansada", que começa ao redor dos 40 anos de idade, quando progressivamente, naqueles indivíduos que não são míopes, surge uma dificuldade de enxergar de perto. É um relógio biológico extremamente preciso. Todos terminam precisando de óculos na velhice. Alguns para longe, outros para perto e a grande maioria das pessoas para ambos.
Ao redor dos 50 ou 60 anos vem a catarata, também muito freqüente, além de outras doenças, como o glaucoma.
Atualmente, o problema mais grave, o qual a Medicina ainda pouco pôde ajudar, é a degeneração macular senil, ou seja, a degeneração da parte da retina chamada mácula. Normalmente acomete pacientes na faixa de 60 a 70 anos de idade, e com bastante freqüência. A degeneração ocorre, provavelmente, porque durante muitos anos a mácula foi exposta intensamente aos raios de luz e culmina com a perda da visão central. Os pacientes não ficam cegos, uma vez que mantêm uma visão de campo. Mas, freqüentemente, têm os dois olhos acometidos e perdem a capacidade de enxergar quando centram a atenção visual em uma direção como, por exemplo, para assistir televisão, ver objetos ou pessoas. Ainda não há um tratamento para a degeneração macular senil, a não ser em alguns casos, quando o diagnóstico é precoce e determinadas lesões podem ser tratadas por raio laser.
O uso das lentes de contato no lugar de óculos normalmente não causa problema algum. No entanto, como as lentes ficam em íntimo contato com as córneas, é evidente que, se elas estiverem sujas ou infectadas, podem levar essa sujeira ou infecção à córnea e causar uma série de doenças. Por isso é que o paciente deve receber informações claras a respeito da limpeza e manuseio correto das lentes. Quem usa lentes de contato deve entender que está usando um recurso óptico moderno e bastante seguro, mas que pode, eventualmente, levar a algumas complicações sérias. É importante enxergar bem e sentir-se bem, e os olhos devem estar com aspecto normal. Se uma dessas situações não ocorrer, pode estar havendo algum problema com as lentes, e o médico oftalmologista deve ser consultado.
As lentes de contato coloridas são feitas basicamente do mesmo material que as lentes corretivas, com a única diferença de terem incorporado um pigmento para coloração. Já as lentes de contato coloridas de antigamente, ofereciam menor tolerância de uso devido às características de espessura diferente e ao pigmento colocado na lente para modificar também a cor da íris, provocando irritação, pela menor permeabilidade ao oxigênio. As modernas são semelhantes às incolores, não sendo, portanto, prejudiciais à visão. Porém, verifica-se na prática que a tolerância a elas é menor e grande parte das pessoas depois de algum tempo acaba por não utilizá-las.
O embaçamento da visão é resultado de uma maior secreção dos olhos devido a uma irritação causada pela lente de contato. Entretanto, o fato da vista ficar embaçada não significa, necessariamente, que a visão será prejudicada. Caso esse embaçamento seja decorrente apenas da formação de secreção no olho e aderência à lente de contato, a visão volta ao normal com a retirada da lente. No entanto, quando o embaçamento for conseqüência de alteração na córnea, mesmo com a retirada da lente de contato, a visão pode continuar prejudicada, até mesmo se esse embaçamento permanecer apenas temporariamente. Nesse caso, o fato deve ser comunicado ao oftalmologista para tratamento específico.
Isto se chama pterígio — membrana fibrovascular que cresce na conjuntiva (parte transparente que recobre a parte branca do olho) em direção à córnea (parte transparente que recobre a parte colorida do olho). Ocorre sempre do lado nasal (medial), mas pode aparecer também do lado temporal (lateral) da córnea. Quando não provoca sintomas ao paciente, não deve ser tratado. O único tratamento é a cirurgia e mesmo com as técnicas mais modernas pode haver recidivas (a volta do pterígio). Por isso, a indicação cirúrgica existe apenas quando o pterígio incomodar (ardor, vermelhidão, fotofobia etc.), quando o crescimento do pterígio atingir a parte mais central da córnea interferindo na visão ou quando esteticamente afetar o paciente.
A sensação de corpo estranho ou de areia nos olhos é muito comum e significa uma manifestação das fibras nervosas, presentes na superfície dos olhos, contra algo que está incomodando. Pode ser uma pequena sujeira ou mesmo algum cílio, que causa irritação pelo atrito. A própria alteração na quantidade de lágrimas faz surgir algumas manchas, em pontos do olho que não foram cobertos pela lágrima, que perturbam como se fossem um corpo estranho. É, portanto, um sintoma inespecífico, e somente um exame oftalmológico pode determinar a causa.
Uma grande parte do olho é preenchida por uma gelatina chamada vítreo. Desde que nascemos começam a acontecer alterações do organismo relacionadas à idade, e em função dessas alterações a gelatina do vítreo vai ficando opaca. Ela passa a ter sujeiras que é freqüente de se enxergar, e às quais nos referimos como "bichinhos ou aranhas".
Com a idade, a mobilidade desses pontos aumenta, porque o vítreo vai se tornando mais líquido. Imagine uma gelatina, e dentro dessa gelatina alguns flocos que se movem com o balanço. É isso que a gente vê no nosso campo visual como opacidade ou pontinhos. Elas são mais freqüentes e aparecem mais precocemente em pacientes míopes.
Ao redor dos 50 ou 60 anos, quase todas as pessoas apresentam tal sensação. Ela não tem gravidade mas, infelizmente, não tem tratamento. Qualquer paciente que apresente um aumento no número ou no tamanho desses pontos, principalmente quando acompanhado de reflexos luminosos ou sensação de "estrelinhas brilhantes", deve ser avaliado pelo médico oftalmologista pelo risco da retina ser machucada quando o vítreo descola.
Ele vai medir a visão e a pressão intra-ocular e, depois de dilatar a pupila com auxílio de colírios e examinar toda a retina com o oftalmoscópio indireto, dirá se tais alterações vítreas são benignas, ou se existem outras alterações, como hemorragias, uveítes, buracos na retina ou lesões que predisponham a um descolamento da retina ou que já a tenham causado.
Esse tipo de escurecimento visual, em algumas pessoas, é causado pela diminuição da pressão do sangue no olho. Quando cai a pressão, a retina, que precisa de sangue e oxigênio para funcionar normalmente, fica momentaneamente prejudicada.
A alteração lacrimal é muito freqüente em mulheres acima de 50 anos de idade, sendo comumente associada às alterações endócrinas que aparecem nessa fase da vida. Os pacientes queixam-se da sensação de olho seco ou "com areia", bem como de intolerância à fumaça e aos ambientes com ar condicionado, sempre ao final do dia.
Alguns pacientes também se referem à sensação de nuvem espessa que afeta o campo de visão. O médico oftalmologista vai examinar os olhos e, de acordo com o caso, receitará colírios de lágrimas artificiais que vão substituir a lágrima e fazer desaparecer os sintomas ou, então, recomendará outros tratamentos como colírios especiais, uso de plugs para tampar o ponto lacrimal, etc.
A cor dos olhos de uma pessoa é determinada pela cor da parte do olho chamada íris, que fica localizada atrás da córnea. O buraco no centro da íris é a pupila, normalmente de cor negra, uma vez se abre para dentro do olho, de onde a luz não reflete. A cor do olho, da mesma maneira que a pigmentação da pele, é determinada por fator genético.
É muito comum as crianças nascerem com a íris apenas parcialmente pigmentada, dando a impressão de que terão olhos azuis ou verdes. Com o passar dos primeiros anos, a pigmentação normal se estabelece. A aparente mudança da cor dos olhos se deve à diferença de luz absorvida e refletida pela íris.
Qualquer pessoa pode ter catarata. Aliás, a catarata é como cabelo branco. Todas as pessoas, a partir de uma certa idade, têm algum grau de catarata. É a causa mais importante de cegueira no mundo. Felizmente também é um tipo de cegueira curável.
A catarata é a opacidade da lente, normalmente transparente, que existe logo atrás da pupila. A pupila torna-se branca na pessoa com catarata, porque a lente que era transparente fica esbranquiçada. A catarata cega por impedir a entrada de luz no olho.
A cirurgia para o caso é rápida e precisa, com grande possibilidade de cura e sem a necessidade de o paciente ficar dias no hospital. O processo é delicado e complexo para o cirurgião, mas simples para o paciente. Sob efeito de anestesia local ele tem a catarata removida, e no lugar dela é colocada uma lente artificial chamada implante ou lente intra-ocular. Dessa maneira evita-se que após a cirurgia o paciente tenha que usar óculos grossos, como antigamente. Hoje em dia, após o primeiro mês da cirurgia, receitam-se óculos comuns para complementar a visão.
Uveíte significa inflamação dentro do olho. Essas inflamações podem ser de causa infecciosa (toxoplasmose e HIV-AIDS) ou causa não-infecciosa (como por exemplo, devido a doenças reumáticas). A uveíte pode acometer um ou os dois olhos, apenas a parte da frente (iridociclite), a detrás (retinite ou córioretinite) ou o olho todo. Os sintomas variam conforme o tipo. Existem uveítes que praticamente não apresentam sintomas. Outras que provocam muita dor, embaraço visual e vermelhidão. Freqüentemente causam opacidades na visão, que faz o paciente dizer que está enxergando "manchas boiando na sua frente", além de provocar uma menor clareza na visão tanto para longe quanto para perto. 26.
Os olhos estão presos por músculos, nervos ópticos e outras estruturas. Assim, é muito raro que em um acidente eles sejam projetados para fora da órbita. O que pode acontecer é que uma pancada violenta quebre os ossos da órbita e os olhos se desloquem de posição.
O olho tem a constituição de um cisto, além de conter tecidos muito importantes e sensíveis. É preenchido pelo corpo vítreo (espécie de gelatina), pelo cristalino (lente normalmente transparente) e por um líquido chamado humor aquoso.
Qualquer ferimento perfurante causado por um objeto pontiagudo pode levar ao esvaziamento dos líquidos e das estruturas que existem dentro do olho. O fato pode acarretar a atrofia do globo ocular, com perda de visão e diminuição de tamanho. Isso é corrigido por meio de lentes ou prótese estética, após a retirada cirúrgica do olho atrófico.
Conjuntivite quer dizer inflamação da conjuntiva, a película fina e transparente que recobre a parte frontal dos olhos e a parte interior das pálpebras. Quando ela está inflamada os vasos sangüíneos ficam mais aparentes, causando o aspecto avermelhado. A inflamação pode ser infecciosa ou não. A infecciosa pode ser causada por vírus ou bactérias. A não-infecciosa sugere reação alérgica à poluição e a substâncias irritáveis.
Algumas conjuntivites infecciosas são contagiosas, principalmente as causadas por vírus. São mais freqüentes nos meses de verão e em agrupamentos populacionais, como em piscinas e praias. Em piscina utilizam-se substâncias que matam bactérias e alguns outros organismos que transmitem doenças, mas que não matam os vírus.
As conjuntivites virais são causadas por vírus semelhantes aos do resfriado e da infecção de garganta. São freqüentemente bilaterais, sendo um olho atacado antes do outro, e costumam incomodar muito. Provocam intolerância à luz (fotofobia), vermelhidão, lacrimejamento e secreção no olho. Em cerca de duas semanas desaparecem sem deixar seqüelas, exceto em raros casos, em que acometem a córnea.
São várias as maneiras de tratar a doença, mas somente o oftalmologista pode indicá-las. Não se recomenda a automedicação com colírios de corticóides. Deve-se tomar muito cuidado com os remédios aconselhados em farmácias, que muitas vezes causam sérios problemas oculares, inclusive a cegueira. Se uma conjuntivite já se instalou e estão incomodando os olhos, o melhor a fazer é compressa de água gelada duas ou três vezes ao dia. Não é necessário que seja com água boricada, basta usar água filtrada ou mineral.
Pálpebras caídas e papadas nos olhos não trazem nenhum tipo de conseqüência à visão, exceto naqueles casos raros em que a pálpebra superior está tão caída que impede a abertura do olho. A cirurgia plástica nas pálpebras, como em outras partes do organismo, é determinada pelo paciente, pela insatisfação que ele possa ter e pela possibilidade de a cirurgia lhe proporcionar um visual mais agradável.
Vale lembrar que é um tipo de cirurgia especializada, que tanto cirurgiões plásticos como oftalmologistas podem realizar, desde que capacitados e com experiência de cirurgia nessa parte do organismo.
O sucesso nunca é garantido em nenhuma cirurgia, de qualquer tipo que seja. Em toda intervenção cirúrgica, além dos fatores relacionados ao médico e à Medicina, existem os relacionados ao paciente, chamados fatores imponderáveis ou acidentais, que não dependem da Medicina ou do médico e muitas vezes nem do paciente. O transplante de córnea é realizado quando a córnea está opaca. Quando ela se opacifica por doenças infecciosas ou degenerativas, o paciente deixa de enxergar e a cirurgia de transplante da córnea é indicada.
É uma cirurgia realizada há mais de 50 anos, com bons resultados. A peculiaridade do transplante é a necessidade de doadores. Infelizmente, no Brasil, como em vários outros países, eles andam escassos, impedindo a realização dos transplantes.
A visão dupla é causada pelo não-alinhamento adequado dos olhos. Assim, um olho fornece ao cérebro uma visão diferente daquela fornecida pelo outro, ocorrendo a imagem dupla, impossível de ser tolerada. O paciente termina naturalmente por fechar um dos olhos. A maior parte dos problemas causadores de visão dupla diz respeito à musculatura extrínseca dos olhos ou a fatores relacionados à órbita, cavidade da cabeça onde os olhos estão situados.
Entretanto, a visão dupla também pode estar relacionada aos tumores intracranianos ou a doenças sistêmicas ou imunológicas. Assim, pode ser tratada pelo neurologista ou pelo oftalmologista, desde que tenham conhecimento para fazer a análise do problema ou, então, tratá-lo ou encaminhar o doente para um especialista adequado.
As dores de cabeça (cefaléias) são um sinal muito inespecífico, que pode estar relacionado a problemas nos olhos ou nos seios para-nasais (sinusites), às enxaquecas, às tensões psicológica ou muscular e, em situações mais raras, a tumores intracranianos ou problemas de articulação mandibular.
As cefaléias de causa ocular podem ser devidas à necessidade de óculos ou a doenças da córnea, como o glaucoma. Crianças até 10 anos de idade raramente têm dor de cabeça relativa à necessidade de óculos por problemas mais sérios. Dores assim geralmente ocorrem após esforço visual relacionado ao estudo e à leitura. Quando a cefaléia acontece por esforço visual, o paciente não costuma acordar se queixando dela, como ocorre nos casos de doenças oculares relacionadas ao glaucoma ou a outras inflamações.
Fotoceratite é a ceratite (inflamação e alteração da córnea) causada pela luz. Ela ocorre principalmente em pessoas que trabalham com soldas elétricas, que produzem a emissão de radiação. Algumas vezes, pode acometer também pessoas que passam muitas horas seguidas expostas à luz ultravioleta (esquiando na neve ou na água, por exemplo). Clinicamente, 12 à 24 horas depois da exposição à radiação, o paciente se queixa de muita dor no olho e da impossibilidade de abrir os olhos pelo incômodo provocado pela luz (fotofobia). O quadro é quase sempre autolimitado, desaparecendo rapidamente mesmo sem tratamento.
Cerca de 30% dos pacientes com AIDS morreriam cegos se não fossem tratados especificamente das doenças secundárias. Essas doenças freqüentemente lesam a retina e outras partes do olho, levando à cegueira. As mais importantes são as infecções da retina (retinite) causadas pelo citomegalovirus (CMV) ou pelo toxoplasma.
Todos os soropositivos, principalmente aqueles que estão com sua defesa já bastante debilitada pela infecção, devem periodicamente ter os olhos examinados. Devem também ser instruídos a não usar lentes de contato ou, então, a usá-las com todos os cuidados pertinentes, uma vez que estão mais sujeitos a infecções decorrentes do uso das lentes de contato. É importante que sejam orientados a procurar o médico oftalmologista sempre que notarem algo estranho nos seus olhos ou na visão.
Os pacientes que se queixam de derrame intra-ocular devem estar verificando a presença de uma mancha avermelhada na conjuntiva (membrana que recobre a parte frontal do olho), ou seja, hemorragia na parte externa. A hemorragia intra-ocular, mais séria, não altera o aspecto externo do olho e só é identificada pelo exame de fundo de olho. A hemorragia sub conjuntival (que causa a mancha vermelha) quase sempre não tem gravidade alguma e pode se repetir no mesmo olho ou no outro.
Em alguns pacientes, a hemorragia ocorre durante a noite, sendo notada apenas pela manhã. Outros se assustam ao perceberem-na de repente. Muito raramente, o derrame pode estar relacionado a problemas sangüíneos, a medicamentos ou à hipertensão arterial. Quase sempre não tem uma causa determinada, podendo ser conseqüência do rompimento de um vaso superficial mais frágil ou de um pequeno trauma. O derrame desaparece sempre dentro de algumas semanas, e quando repetido no mesmo local pode ser tratado por meio de laser ou de uma aplicação microcirúrgica. Algumas vezes o uso de compressa quente abrevia o tempo de resolução. Colírios ou pomadas não têm ação sobre o derrame.
Já as hemorragias intra-oculares relacionadas à coróide ou à retina são mais importantes e necessitam sempre de acompanhamento do médico oftalmologista. São ocorrências secundárias do diabetes, das oclusões vasculares (tromboses), da hipertensão arterial e de doenças inflamatórias, entre outras. Quando são causadas por doenças sistêmicas (ou seja, que afeta todo o corpo), como hipertensão e inflamações, a doença deve evidentemente ser tratada. Em casos especiais, o oftalmologista pode, por intermédio do laser ou aplicação de medicamentos dentro do olho, impedir o aumento dessas hemorragias. Apenas a cirurgia intra-ocular (vitrectomia) pode remover o sangue, quando ele não é absorvido pelo organismo.
O bebê faz a primeira triagem de problemas oftalmológicos assim que nasce, ainda pelo médico pediatra neonatologista e este exame é chamado de “teste do reflexo vermelho”. O mesmo teste deve ser repetido aos três meses de idade, também pelo pediatra e no caso de estar alterado a crianca deve ser examinada por um oftalmologista especializado assim que possível. Doenças como prematuridade, catarata congênita e retinoblastomas podem alterar este exame e, apresar de muito raras, devem ser tratadas rapidamente. Se tudo estiver bem a criança deve ser examinada por um oftalmologista aos 3 e aos 5 anos.
A também criança deve ser examinada por um oftalmologista sempre que os pais percebam alterações como estrabismo (quando um olho da criança parece estar torto ou desalinhado em relação ao outro), alergia (quando a criança tem coceira nos olhos), trauma (algum acidente ou trauma que envolva o olho), alteração visível do olho da criança (mancha, alteração na transparência da córnea, etc) ou quando percebem que a criança não esta enxergando bem.
Durante a infância a criança não enxerga tão bem como os adultos e isto é normal, faz parte do desenvolvimento da visão. Apenas aos 6 anos de idade a criança tem a visão desenvolvida como a de um adulto e é importante identificar problemas até esta idade porque muitas vezes quando tratados a criança ainda tem tempo de desenvolver a visão no olho pior. Desta maneira, durante os primeiros anos de vida, não havendo os problemas mencionados acima (estrabismo, etc) o mais importante é garantir que os dois olhos tenham visão semelhante.
Os pais podem fazer testes simples em casa para saber se a visão entre os dois olhos é parecida:
Com as crianças menores, sugerimos mostrar um livro ou brinquedo colorido e enquanto a criança brinca, tampar um olho de cada vez. Normalmente a criança quer destampar o olho, mas continua brincando enquanto isso. Se a criança apresenta uma reação pior, ficando muito irritada quando o mesmo olho é tampado isso pode demonstrar que o outro olho tem a visão pior, sendo necessário um exame oftalmológico para descartar qualquer problema.
Com as crianças já maiores fica fácil para os pais mostrarem figuras ou objetos para a criança e pedir para que ela o descreva, tampando um olho de cada vez.
Em consultas preventivas anuais (para checar o grau, pressão e examinar a retina) fazendo prevenção de doenças ou com maior freqüência em casos especiais. Você também deve passar em consulta quando você tiver baixa de visão, embaçamento, coceira ou alergia nos olhos, dor nos olhos ou qualquer outro sintoma que incomode. Sabemos que depois dos 40 anos de idade o olho passa por algumas alterações como a piora da visão para leitura (chamada presbiopia) e a chance do aparecimento de algumas doenças como glaucoma, retinopatia e catarata aumenta. O glaucoma, por exemplo não causam sintomas no inicio mas depois de algum tempo podem causar perda da visão irreversível.
