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Caderno Saúde – Visão

Idosos estão propensos a ter a degeneração macular

Reportagem: Ariana Pereira

Linhas tortas, manchas no centro da visão e piora na capacidade de enxergar podem ser mais do que sinais de envelhecimento. Esses são os sintomas da Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI). A doença acomete a mácula, uma região da retina responsável pela visão de detalhes, necessária para atividades simples como ler, assistir televisão ou reconhecer o rosto das pessoas. “A degeneração macular é uma doença degenerativa, portanto de caráter progressivo, que acomete a mácula, região central da retina, responsável pela visão central e de detalhes”, explica a oftalmologista Marcela Cypel. Mais comum em pessoas com mais de 50 anos a degeneração macular ainda não tem causa determinada, mas, de acordo com o oftalmologista Rubens Belfort Neto, a doença pode acometer pessoas mais jovens em casos mais raros. A degeneração macular é a principal causa de cegueira em pessoas idosas no mundo ocidental, de acordo com o oftalmologista Renato Braz. A doença afeta aproximadamente 300 milhões de pessoas no mundo, sendo 5 milhões no Brasil.

“Na população acima de 65 anos a ocorrência é de 10%. Trata-se de problema degenerativo que afeta a parte central da retina (fundo do olho). Em pessoas com mais de 75 anos a ocorrência chega a 30%. Os fatores de risco para o desenvolvimento da doença são a idade, historico familiar do problema, tabagismo e sedentarismo”, afirma Braz. A tendência é de que, com o envelhecimento da população, a doença se torne mais comum e freqüente, segundo a oftalmologista Marcela Cypel. “A retina do idoso normalmente apresenta alterações de senilidade que podem evoluir para a DMRI devendo assim serem acompanhadas pelo oftalmologista com exames cuidadosos e com certa freqüência (recomenda-se após os 70 anos exames anuais).

Podemos dizer que se vivermos o bastante iremos ter alguma forma de DMRI pois ao 100 anos todos os idosos que examinamos tem algum grau de DMRI. No Instituto da Visão da Universidade Federal de São Paulo existe um trabalho chamado “Projeto 100 anos” que acompanha as alterações oftalmológicas de pessoas centenárias”, diz Marcela. Segundo Belfort Neto, como as causas da degeneração não estão completamente esclarecidas pelos pesquisadores, há probabilidade de existir um componente genético responsável pelo seu desenvolvimento, além disso, pessoas de raças brancas estão mais propensas. “Deve existir outros fatores que ainda não foram comprovados cientificamente como inflamação, alimentação, exposição ao sol.”

Alimentação Braz afirma que não há maneiras de evitar completamente a ocorrência da doença. Existem, porém, maneiras de diminuir a possibilidade de desenvolvê-la por meio de uma dieta rica em antioxidantes (como vegetais verdes e legumes, por exemplo), além de abandonar o cigarro e fazer exercícios físicos regularmente.“Fundamental também o diagnóstico precoce por meio de visitas regulares ao oftalmologista.” Existem duas formas de degeneração macular relacionada à idade: a seca e a úmida. A seca ou atrófica é responsável por cerca de 80 a 90% dos casos da doença e, atualmente, embora haja inúmeros estudos em andamento não foi desenvolvido um tratamento medicamentoso para esse tipo de manifestação da doença. A forma seca tem evolução mais lenta “Utilizam-se recursos de visão subnormal, que são recursos ópticos específicos para pessoas com acuidade visual baixa para se tentar melhorar a visão dessas pessoas”, diz a oftalmologista.

Segundo Belfort Neto, alguns estudos mostram que a complementação vitamínica e nutricional com anti-oxidantes pode impedir que a degeneração macular do tipo seca, mais benigna, evolua e torne-se do tipo exsudativa. A forma úmida ou exsudativa tem como sinal característico a presença da chamada membrana neovascular, proliferação anormal de vasos sub-retinianos decorrentes das alterações da senilidade no local e sua progressão tende a ser mais rápida do que a forma seca. Há, no entanto, tratamento para essa forma da degeneração. “É feita uma injeção de remédio dentro do olho (Avastin) e, raramente, uma aplicação de laser (PDT)”, explica Belfort Neto.

É possível diminuir o risco de progressão da doença por meio do uso de vitaminas e antioxidantes orais específicos, de acordo com Braz. “Em casos específicos da forma úmida da doença, o tratamento progrediu bastante e hoje é possível através da nova terapia antiangiogênica, obtermos melhora da visão, na maioria deles, melhorando a qualidade de vida dos pacientes.” O único fator de risco confirmado é a idade, quanto mais velho maior o risco, de acordo com Marcela Cypel. Outros fatores como nutrição, hipertensão e obesidade ainda estão em estudo.

Diagnóstico precoce favorece tratamento Ainda que não tenha cura, o diagnóstico precoce é importante para diminuir os prejuízos causados pela degeneração macular. Manter a atenção às alterações na visão e procurar regularmente um oftalmologista pode ajudar a identificar precocemente os sinais da degeneração. É recomendado que o idoso fique atento e teste a visão, cada olho em separado: tampe um olho e teste como está vendo um objeto perto e um longe e depois teste o outro da mesma forma. Os olhos devem ser testados em separado justamente porque a doença tende a acometer primeiro uma visão depois a outra. Quando a capacidade de enxergar de um olho ainda está preservada o idoso pode não perceber a diminuição da visão do olho mais fraco, se ambos estiverem abertos. Se constatada alguma alteração ela deve ser avaliada cuidadosamente por um oftalmologista mediante exame com especial atenção à retina ou ao fundo de olho.

“O olho, assim como o restante do corpo, sofre alterações com o passar dos anos, mas isso não significa que o idoso tenha que enxergar mal ou que seja natural ter baixa visão, em conseqüência da idade avançada. A baixa capacidade de enxergar no idoso deve ser diagnosticada e devidamente abordada. Manutenção de qualidade de visão significa manutenção de qualidade de vida”, afirma a oftalmologista Marcela. De acordo com a oftalmologista, a degeneração tende a acometer ambos os olhos, mas não ao mesmo tempo e costuma ser assimétrica. Pode demorar vários anos entre um olho e o outro, assim como uma visão pode apresentar a forma seca e outra a úmida.

Existem, atualmente, mais de 50 estudos a respeito do tratamento da doença, portanto, os especialistas acreditam que devem ser apontadas algumas formas de amenizar os impactos da degeneração macular, em breve. Segundo o oftalmologista Renato Braz, a degeneração macular não desencadeia outras doenças na visão, mas pode acontecer ao mesmo tempo que outros problemas oculares. “Ela pode ocorrer conjuntamente a outras doenças da visão próprias da faixa etária como a catarata e o glaucoma, mas não como decorrência desses problemas.”

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