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As pálpebras são os lugares mais comuns para ocorrência de tumores na região dos olhos. Uma série de tumores benignos e malignos podem afetar esta parte do corpo. O dano causado pela exposição solar ao longo da vida é um importante fator de risco para o aparecimento de tumores palpebrais, especialmente carcinomas.

Reportagem da revista Veja de 24 de Fevereiro de 2018 mostra que são 16.000 novos casos de tumores de pálpebra no Brasil a cada ano.

Tumores benignos (não câncer)

1 – Hordéolo ou Calázio (popularmente conhecido como Terçol)

Não é um câncer, mas uma inflamação da glândula da pálpebra e pode afetar pessoas de todos os sexos e idades. Costuma ser acompanhado de dor e vermelhidão, podendo gerar secreção purulenta. Não necessita de tratamento na grande maioria dos casos e pode apresentar resolução mais rápida pela aplicação de compressas mornas sobre a pálpebra, apesar de compressas frias poderem ser indicadas em casos com muito edema.

Podem ser utilizados colírios ou pomadas, mas geralmente não são muito efetivos no tratamento.

2 – Papiloma

Papiloma é um tumor benigno, de origem epitelial, que parece uma verruga. Geralmente é causado pelo vírus do HPV. Pode acometer pessoas de todas as idades e as vezes pode ser múltiplo ou acometer os dois olhos. Pode ser necessário tratamento cirúrgico nos casos de papilomas maiores que causem incomodo ou problemas estéticos.

Hoje existem tratamentos com aplicação de raio laser que podem evitar a cirurgia.

3 – Queratose seborreica

É outra lesão com aspecto de verruga, benigna, que costuma afetar pacientes de meia idade ou idosos, de coloração marrom ou negra, bem delimitada e com aspecto descamativo. Geralmente são lesões pouco elevadas e não parecem inflamadas. Fazemos a remoção cirúrgica por queixa estética e para garantir que não é uma lesão cancerosa que parece uma queratose.

Tumores malignos (câncer)

Os tumores malignos da pálpebra geralmente afetam pacientes mais velhos e podem ser causados por dano ultra-violeta pela luz solar e pela infecção pelo vírus HPV. São diferentes tipos de câncer e também são mais comuns em pacientes imunossuprimidos.

Nestes casos o tratamento deve ser realizado assim que possível para evitar que o tumor comprometa outras estruturas e o olho.

1 – Queratoacantoma (ou Ceratoacantoma)

O queratoacantoma é uma lesão maligna de baixo grau (pouco agressiva) de pele que se parece com o carcinoma basocelular por ser uma lesão elevada com ulceração central. No entanto, o queratoacantoma geralmente crescem rapidamente até lesões de 1 a 2 cm em semanas ou meses e podem involuir espontaneamente depois de 4 a 6 meses.

2 – Carcinoma basocelular (também chamado de CBC)

É o tumor maligno mais comum a atingir a pálpebra, é um tipo de cancer de pele que está relacionado ao dano causado por raios ultra violeta acumulados por toda a vida, sendo mais comum em pacientes de pele clara que tiveram grande exposição ao sol. Geralmente acomete a pálpebra inferior porque é a reunião com maior exposição ao sol. Pode aparecer como uma lesão elevada, com centro ulcerado. Pode causar perda de cílios. Apesar de causar dano local, não costuma ser um câncer que gera metástases em outras partes do corpo.

O tratamento é com remoção cirúrgica que retira o câncer e já realiza a reconstrução da pálpebra. Podemos ter confirmação do patologista durante a cirurgia para garantir que todo o tumor foi removido.

3 – Carcinoma sebáceo

É um tipo de cancer que tem origem em glândulas da pálpebra (glândulas de Meibomius ou Zeis) e pode ser confundido com uma lesão inflamatória benigna (Hordéolo). Este cancer é raro, mas muito grave. Geralmente acomete a pálpebra superior e é um cancer agressivo e que podem matar o paciente se não for tratado de maneira adequada. Todo calázio de repetição deve levantar a suspeita de carcinoma sebáceo e um patologista deve ser avisado desta suspeita, para que possa realizar os exames e colorações adequados para excluir este diagnóstico nestes casos. Pode estar associado a dano causado por radiação, ou a doenças como Doença de Bowen’s e Síndrome de Muir-Torre.

O tratamento é com remoção cirúrgica que retira o câncer e já realiza a reconstrução da pálpebra. Podemos ter confirmação do patologista durante a cirurgia para garantir que todo o tumor foi removido.

4 – Melanoma e Carcinoma espinocelular

São outros tipos de tumores malignos das pálpebras que, apesar de mais raros, podem invadir estruturas ao redor dos olhos e gerar metástases, inclusive colocando a vida do paciente em risco. O oftalmologista deve ser consultado se houver aparecimento / crescimento de qualquer lesão na região da pálpebra e lesões suspeitas devem ser acompanhadas de perto, inclusive com biópsia se necessário. O melanoma geralmente é pigmentado (marrom ou escuro) e o carcinoma tem cor da pele normal.

O tratamento é com remoção cirúrgica que retira o câncer e já realiza a reconstrução da pálpebra. Podemos ter confirmação do patologista durante a cirurgia para garantir que todo o tumor foi removido.

Sinais e sintomas que ajudam a diferenciar lesões benignas de malignas (cânceres):

Algumas regras ajudam o oftalmologista a diferenciar lesões benignas e malignas das pálpebras: lesões malignas costumam causar perda de cílios, distorção da margem palpebral, alteração da coloração ou textura da pele ou sangramento persistente. Pacientes que apresentam estes sintomas devem procurar um oftalmologista que vai avaliar a necessidade de realizar uma biópsia.

Tratamento

O tratamento das lesões malignas e das lesões benignas com alteração estética é a remoção cirúrgica. Geralmente tentamos remover toda a lesão, mas algumas vezes fazemos uma biópsia e, dependendo do resultado, programamos a cirurgia principal. Fazemos a retirada com margem de segurança, para diminuir a chance do tumor voltar. O material deve ser enviado para avaliação pelo patologista, que confirma o tipo de tumor e se foi removido completamente.

Dependendo do tipo e do tamanho do câncer utilizamos patologia de congelação, quando fazemos a análise de patologia ainda durante a cirurgia. O médico patologista faz avaliação imediata e avisa o cirurgião. Desta maneira aumentamos a segurança, garantindo que todo o tumor foi removido.

Diversas técnicas cirúrgicas podem ser utilizadas para reconstruir a pálpebra depois da remoção do tumor, geralmente resultando em bom resultado funcional e estético para o paciente. É fundamental ter um médico especialista em cirurgia da pálpebra, para melhorar o resultado e não comprometer a saúde dos olhos.

Em raros casos pode ser necessário complementar o tratamento com aplicação de radioterapia externa.

Como nos outros casos de câncer é importante que o tratamento seja realizado assim que possível  e por equipe com experiência em câncer ocular e plástica ocular.

Artigo escrito pela equipe da Clínica Belfort em 2018. Proibida reprodução parcial ou total sem autorização. Este artigo contém apenas informações gerais sobre doenças oculares. Este texto não substitui a avaliação por médico oftalmologista.